10 de mar. de 2010

Retratos de Família

Junebug. EUA, 2005, 104 minutos. Drama.
Indicado a um Academy Award na categoria Melhor Atriz Coadjuvante (Amy Adams)
___________________________________

Há muito que queria assistir a esse filme e esse meu desejo foi principalmente incentivado pelos elogios a Amy Adams, atriz que descobri recentemente, embora, há muito tempo, tenha conhecido o patético Segundas Intenções 2, seu filme de estreia. A lista de melhores atrizes coadjuvantes da década que o Kau, dono do Bit of Everything, organizou me fez ainda mais querer conhecer esse filme e saber o que acharia da performance de Adams. Uma explicado os motivos, vamos à resenha...
Madeleine se casou com George recentemente. Como é produtora de artes, vive buscando novos talentos para expor em amostras e um dia acaba indo à cidade em que moram os familiares de seu marido. Os dois decidem ficar lá por alguns dias, mas logo Madeleine percebe que há um grande problema que cerca a família, impedindo-os de confraternizar como deveriam. Seus sogros se mostram alheios a ela e seu cunhado a trata com desprezo; a única que é totalmente receptiva à sua chegada é sua cunhada Ashley.

Os atores não são tão conhecidos assim. Eu apenas conhecia Amy Adams e um outro, de cujo rosto me lembrei, mas não sei dizer exatamente em que filme o vi. As interpretações - com uma única exceção - não são excepcionais e eu afirmo com segurança que elas são bastante comuns, até mesmo esquecíveis. Embeth Davidtz, protagonista e intérprete de Madeleine, tem um desempenho regular, mostrando meio inconcisa quanto às suas prioridades. Achei a atriz um pouquinho exagerada quanto a que posição tomar em cena: às vezes, exagera um pouco nos seus movimentos, sendo muito lenta quando há necessidade de maior agilidade e sua expressão é praticamente mesma, tanto nos momentos bons quanto nos indesejáveis. Alessandro Nivola, intérprete de George, é tão coadjuvante que nem dele cobraram boas expressões faciais; tudo o que faz é cantar uma musiquinha evangélica - uma cena bem bonita, por sinal - e atuar ao lado de Amy Adams numa outra cena, na qual o destaque, obviamente, é ela. Benjamin McKenzie, Celia Weston e Scott Wilson, respectivamente o irmão problemático, a mãe e o pai, são extremamente coadjuvantes e bastante limitados, sendo que os dois últimos pouco aparecem e o primeiro apenas faz cara que não-estou-a-fim-de-conversar. O grande destaque do filme de fato é Amy Adams, que nos encanta com seus sorrisos e suas perguntas abobalhadas; seu jeitinho meigo, mesmo sendo expulsa de cada canto da casa a todo momento, nos faz querer abraçá-la. Confesso que tive vontade de abraçá-la, bem apertado. A cada cena ela parece estar mais à vontade em cena e na última vez em que aparece temos a certeza de que sua atuação merece, no mínimo, uma indicação! Num misto se choro e riso, ela se mostra absolutamente impecável e a ela vão todos os meus possíveis elogios.
Não sei exatamente qual é o maior problema do filme: roteiro ou direção. Quanto ao primeiro, ele poderia desenvolver bem a história nos permitindo conhecer um dos motivos pelo qual a família é tão desestabilizada. Em uma hora e meia, nada vi senão cenas duras de agressão, explícita ou implícita, na qual os membros mostram os desentendimentos que têm um com o outro. Em nenhum momento, porém, somos apresentados aos porquês. Esse é o maior erro do roteiro: não se mostrar completo. Quanto à direção, cabia a Phil Morrison guiar os atores corretamente, colocá-los no eixo, indicar a melhor maneira de se portar numa determinada cena. Praticamente todas as cenas, na minha opinião, são parciais; não nos revelam tudo o que poderiam nem se mostram eficiente naquilo que tentam. O único grande momento é o momento pós-parto, no qual George e Ashley estão conversando. Se o filme todo seguisse a complexidade daquele momento, pois é realmente excelente - em todos os sentidos -, o meu conceito em relação a ele subiria bastante.

Eu devo recomendar o filme para que vocês conheçam o excelente trabalho de Amy Adams, porque esse não é uma obra necessária, ela pode se apagar de sua mente uma semana depois de a ver. As atuações, a direção, a fotografia - e inclusive o entretenimento -, são medianos. Caso queiram conhecê-lo, fiquem à vontade; caso não queiram, é uma boa escolha também...
Luís

2 opiniões:

Matheus Pannebecker disse...

O filme é bem irregular, mas sem dúvida vale conferir pela Amy Adams...

Thiago Paulo disse...

Sabe que eu gosto desse filme, acho que já te disse isso,né? Não sei, tem alguns filmes "pequenos" - como esse - que me conquistam de uma certa maneira. gosto da história, dos personagens e é claro, principalmente da Amy Adams.

Abraço.